Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda e certa; e ele descera sobre nos como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra. (Oséias 6:3)

00 Introdução ao Manual de Discipulado

CONCEITO DE DISCIPULADO

 

Etimologicamente, a palavra discípulo (mathetés, no grego) significa “aluno”, “aprendiz”. O antônimo desta palavra é mestre (didáskalos, no grego) que quer dizer “aquele que ensina”. Logo, o discipulado visa treinamento para a maturidade e frutificação espiritual.

Talvez a melhor definição de discipulado seja a que foi dada por Keith Phillips, no seu livro “Ouse Discipular”:

 “O discipulado cristão é um relacionamento de mestre e aluno baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo que o aluno é capaz de treinar outros para ensinarem a outros.”

Essa definição encontra respaldo naquilo que Paulo escreveu para Timóteo:

“Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos, para instruir a outros.” (II Tm.2:1,2).

 

A DINÂMICA DO DISCIPULADO

 

1. ENSINE A BÍBLIA

Jesus instruiu os seus discípulos a ensinarem os novos convertidos “a observar tudo que eu vos tenho ordenado.” (Mt.28:20). Paulo, por sua vez, teve o cuidado de “anunciar todo o desígnio de Deus” aos líderes de Éfeso (At.20:27). Ele inclusive escreveu: “ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo.” (Cl.1:28).

As lições devem ser teológicas e práticas, pois a Bíblia contém temas teológicos (questões de fé) e temas ético-cristãos (questões de comportamento). Por exemplo: Hebreus 6:1,2 trata do nosso credo, enquanto Mateus 5 a 7 trata do nosso comportamento como cristãos. A distinção é relevante porque, quanto ao primeiro, devemos mudar a nossa maneira de pensar e, quanto ao segundo, a nossa maneira de agir.

Jesus, nosso modelo, tinha um programa de ensino, pois Ele disse: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade.”(Jo.16:12,13).

O Senhor, portanto, não improvisou. Ele sabia exatamente o que queria ensinar aos seus discípulos. Ele escolheu o programa de ensino criteriosamente, incluindo certas verdades e deixando outras para mais tarde, confiando no Espírito Santo para ensiná-las. Este ensinamento que Jesus deixou tornou-se “a doutrina dos apóstolos”(At.2:42), da qual temos um exemplo em  Hebreus 6:1, 2.

Paulo, mais tarde, por revelação do Espírito Santo, completou este ensino formando um corpo de doutrina que ele chamou de “todo o desígnio de Deus” (At.20:27).

Precisamos formular um programa de ensino que possua todo o conteúdo necessário para levar o discípulo à maturidade e à frutificação. Isto quer dizer que devemos formular um currículo das verdades fundamentais do Evangelho.

O nosso manual, sem a pretensão de abranger todo o conteúdo do ensino apostólico, procura reunir os pontos mais importantes para que um discípulo de Jesus Cristo possa alcançar uma vida de maturidade espiritual e frutificação no seu caminhar com Deus.

 

2. TENHA ENCONTROS REGULARES

Jesus chamou os doze para estarem com ele 24 horas por dia. Eles comiam, dormiam e viajavam juntos, vivendo pela fé. Nossa cultura e situação sócio-econômica não nos permite tamanha dedicação. Por isso, precisamos administrar o nosso tempo para aproveitá-lo ao máximo.

Existem dois tipos de encontro que podemos ter com os nossos discípulos:

a) Encontro informal. Esse encontro consiste em fazer certas atividades junto com os discípulos para criar um relacionamento mais íntimo com eles. O conteúdo desse tipo de trabalho não é sistematizado. Nosso objetivo, basicamente, é conhecer o discípulo melhor e deixá-lo nos conhecer passando alguns momentos informais em sua companhia. Podemos passear juntos, jantar juntos, fazer compras, etc.

b) Encontro programado. O objetivo de um encontro assim é lançar as bases para as verdades bíblicas. Trata-se de encontros semanais com os discípulos para ensino, aconselhamento, oração e serviço.  Estes encontros devem ser preparados tendo estes objetivos em mente. O local para estas reuniões pode ser variado, dependendo do programa e da fase em que se está. Por exemplo, talvez uma visita a um hospital para orar pelos enfermos ou a um presídio para evangelizar os encarcerados seja o encontro ideal.

 

3. DURAÇÃO DO DISCIPULADO

Assim como os filhos naturais amadurecem em tempos diferentes, os discípulos também têm seu próprio ritmo de crescimento. Precisamos respeitar a individualidade e as características pessoais de cada um.

Nem todo discípulo é igual. Não se trata de uma linha de montagem onde as peças são todas idênticas. Alguns apontarão para a liderança, outros não.  Alguns precisarão de mais atenção, e outros darão mais trabalho. Ora, Jesus tinha muitos seguidores, mas ele separou apenas doze para discipular. Dos doze, ele escolheu três para estarem mais perto dele. O motivo desta distinção certamente está no propósito que Deus tem para cada um.

O ideal seria que o discipulado durasse entre um e dois anos. Este foi aproximadamente o tempo que Jesus levou para treinar os seus discípulos: Em torno de um ano entre Mc.3:14 e Mc.6:7 (para estarem com ele)  e mais um ano entre Mc.6:7 e Mc. 16:15 (quando os enviou para praticar). Todavia, repita-se, tudo dependerá de quem estivermos discipulando.

 

4. NÚMERO DE DISCÍPULOS

Jesus discipulou doze. Mas a cultura, o estilo de vida e a situação sócio-econômica da Palestina eram muito diferentes da nossa. Não creio que seja possível discipular um grupo tão grande de pessoas, pois o tempo curto e as responsabilidades do dia-a-dia nos obrigariam a colocar todos numa vala comum, fazendo do discipulado mais um encontro da igreja na casa do que um treinamento para a maturidade e frutificação.

Paulo sempre trazia um ou dois discípulos, no máximo,  nas suas viagens missionárias. Estes homens estavam em treinamento. A sua agenda, sempre cheia, não permitia que ele cuidasse de mais gente do que isso. Creio que devemos seguir o seu exemplo.

 

Wilson Linhares Castro


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