Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda e certa; e ele descera sobre nos como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra. (Oséias 6:3)

02 Requisitos para a salvação

discipuladoLIÇÃO 02 - REQUISITOS PARA A SALVAÇÃO

 

“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados.” (At.2:38)

  

I. FÉ EM DEUS 

A palavra fé, no grego, é pístis e significa “certeza”, “convicção” (Hb.11:1).  Com relação ao Evangelho, a fé é uma profunda convicção de que as promessas de Deus feitas em Cristo Jesus são verdadeiras, gerando uma inteira confiança nele e não mais em nós mesmos.

A fé, no entanto, está sempre relacionada à obediência. Como está escrito: “Por meio dele e por causa do seu nome, recebemos graça e apostolado para chamar dentre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé.” (Rm.1:5). É essa relação entre fé e obediência que vemos na vida de Abraão. A Bíblia diz que “Abraão creu em Deus.” (Tg.2:23) e, por isso, obedeceu quando Deus disse: “Saia da tua terra, do meio dos parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.” (Gn.12:1).

Em obediência à Palavra de Deus, portanto, todo aquele que crê deve também:

a) se arrepender da sua independência para com Deus (At.3:19);
b) confessar Jesus como Senhor (Rm.10:9,10);
c) nascer de novo por meio do batismo nas águas (Mt.28:19).

 II. ARREPENDIMENTO

O arrependimento é uma das condições para a salvação. São palavras do próprio Jesus  para aqueles  que o seguiam: “Mas se não se arrependerem, todos vocês perecerão.” (Lc.13:3).

Segundo a definição popular, “arrependimento” é um sentimento de tristeza em relação a uma falta ou erro cometido. Todavia, isso não é arrependimento, mas “remorso” (Mt.27:3-5). A palavra “arrependimento” é a tradução de uma palavra grega (metanóia) que quer dizer “mudar de decisão, de opinião ou de comportamento”.

Com respeito à salvação, arrependimento significa mudar a nossa opinião sobre o pecado e sobre Deus (At.26:20). Significa dar uma volta de 180 graus e escolhermos amar a Deus e odiar o pecado (Sl.45:7).

Os homens estão num estado de cegueira espiritual tão grande que se acham melhores do que realmente são (Ef.4:17,18). Justificam-se com frases do tipo: “Não sou uma pessoa ruim”, “Só procuro fazer o bem”, “Nunca fiz mal a ninguém”, etc. Todavia, Deus enxerga através das nossas justificativas. Ele conhece a imundícia acumulada em nossos corações, por isso não se impressiona com as nossas desculpas (I Jo.1:8).

Os homens precisam estar tão profundamente convictos do seu estado pecaminoso e de suas conseqüências que passam a desejar e buscar a salvação, abandonando sua velha maneira de viver. Isto é verdadeira conversão.

Contudo, os homens precisam mais do que apenas se arrepender dos seus pecados. Eles precisam se voltar para Deus. O nosso maior problema não está tanto nas coisas erradas que fazemos (atos), mas na atitude interior de desobediência (não me submeto) e independência (faço o que eu quero) para com Deus (Ef.2:1-3). Por isso, Deus quer atingir a raiz do problema, isto é, que mudemos a nossa atitude interior para com Ele.

III. CONFISSÃO

A palavra “confissão”, no grego, é homologéo e quer dizer “falar a mesma coisa” (homos, mesmo; lego, falar), isto é, “concordar verbalmente com o que outro está dizendo”. No caso do crente, significa falar aquilo que Deus está falando em sua Palavra.

Após crermos na cruz e nos arrependermos de nossos pecados, o próximo passo é confessar Jesus como Senhor de nossas vidas. Como está escrito: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Rm.10:9).

Observe que o versículo não diz confessar Jesus como “Salvador”, mas como “Senhor”. O Evangelho do Reino enfatiza a Soberania e o Senhorio de Cristo Jesus sobre toda a criação. É um Evangelho cristocêntrico (centralizado em Cristo) e não egocêntrico (centralizado no homem). “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor.” (II Co. 4:5).

Confessar Jesus como Senhor significa estar disposto a não viver mais para si mesmo, de forma egoísta e individualista, mas para aquele que por nós morreu e ressuscitou (II Co.5:14,15).

1. Este passo lembra muito um noivado, quando os nubentes se comprometem um com o outro a se casarem.
2. É somente a partir da confissão que a salvação está garantida.
3. Eis um exemplo de uma oração de confissão que deve ser proferida em voz alta:

“Jesus, eu reconheço que sou um pecador e que preciso de salvação. Creio que tu és Filho de Deus, que vieste em forma de homem, morreste na cruz pelos meus pecados, ressuscitaste no terceiro dia e hoje é Senhor de toda a criação. Eu recebo o teu perdão pela fé, renuncio as trevas, o mundo e o meu egoísmo e entrego a minha vida para ti. Amém”     

IV. BATISMO NAS ÁGUAS

O compromisso assumido com Cristo na confissão deve ser selado com o batismo nas águas, que é um sinal exterior de nosso compromisso interior.

No Oriente Médio, um pacto (aliança, contrato, compromisso) era sempre confirmado por meio de um ritual externo que servia de testemunho do mesmo. Por exemplo, a circuncisão foi o sinal externo da aliança de Deus com Abraão e os seus descendentes, os judeus (Gn.17:9-11). Se um gentio, portanto, quisesse se converter ao judaísmo teria que se circuncidar.

O batismo nas águas veio para substituir a circuncisão como sinal externo do nosso compromisso com Deus (Cl.2:11,12). Portanto, enquanto a fé e o arrependimento são requisitos subjetivos deste compromisso, isto é, interior e pessoal, a confissão e o batismo nas águas são requisitos objetivos, ou seja, exterior e público.

Este último passo lembra muito um casamento, quando os nubentes selam seu compromisso um com o outro.

A palavra “batismo” (baptisma, no grego) significa, literalmente, “imersão”. Esta era a forma primitiva de batizar, e não por aspersão ou derramamento. Este ato exterior de mergulhar em água simboliza: a) a união mística do crente com Cristo na sua morte e ressurreição (Gl.3:27; Rm.6:3,4); b) a sua separação do mundo (II Co.5:17); c) a sua inclusão no Corpo de Cristo (I Co.12:12,13).

Somente aquele que crê na mensagem da cruz, se arrepende dos seus pecados e confessa Jesus como Senhor pode ser batizado nas águas. Por se tratar de uma fé consciente e pessoal, o batismo infantil não é bíblico, sendo ineficaz para a salvação (Mc.16:16).

 

Wilson Linhares Castro


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