Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda e certa; e ele descera sobre nos como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra. (Oséias 6:3)

04 Devocional

discipuladoLIÇÃO 04 - DEVOCIONAL

 

“As palavras dos meus lábios [louvor e oração] e o meditar do meu coração [leitura bíblica] sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu.” (Sl.19:14)

  

I. O QUE É DEVOCIONAL?

É a prática de separar um tempo do nosso dia para estar a sós com o Senhor para orar, meditar na Sua Palavra e louvá-lo (Mt.6:6).

Temos um exemplo desta prática na explicação que o rei Salomão dá para a construção do Templo em Jerusalém: “Eis que estou para edificar uma casa em honra ao nome do Senhor, o meu Deus, e dedicá-lo a ele, para queimar perante ele incenso aromático (oração, Ap.5:8), e lhe apresentar continuamente o pão consagrado (Palavra de Deus, Lc.4:4) e fazer sacrifícios todas as manhãs e às tardes (louvor, Hb.13:15) …” (II Cr.2:4).

II. A IMPORTÂNCIA DO DEVOCIONAL

Jesus morreu na cruz para reconciliar o homem com Deus. Como está escrito: “tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo Jesus.” (II Co.5:18,19). Logo, a salvação é muito mais do que um simples “ingresso” para entrarmos nos céus; antes, visa aproximar-nos de Deus e restaurar o nosso relacionamento com Ele.

Daí por que é tão importante separar um tempo, todos os dias, para orar, ler a Bíblia e louvar o Senhor. Não há outra forma de termos comunhão com Deus e sem comunhão, para que serve a nossa conversão? Como está escrito: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3).

Jesus, que era filho de Deus, não dispensou esta prática em sua vida. Às vezes, ele não tinha tempo para comer ou dormir, mas sempre achava tempo para estar com o Pai. A Sua vida devocional era tão constante que os discípulos, impressionados, pediram-lhe que os ensinasse a orar (Lc.11:1).

As pessoas sempre encontram tempo para aquilo que julgam ser importante. Separar um horário para estar com o Senhor, portanto, não é uma questão de tempo, mas de escolha e de disciplina. J. Oswald Sanders expressou esta ideia assim: “Estamos tão perto de Deus quanto decidimos estar, não quanto desejamos estar”. A solução, portanto, não é ter tempo para o devocional, mas arranjar tempo.

O importante sobre o devocional é que ele tem um efeito cumulativo. Mesmo quando o céu parece de bronze e, aparentemente, nada está acontecendo, a verdade é que estamos semeando no céu e, no seu devido tempo, iremos colher aqui na terra (Mt.6:6; Hb.11:6).

III. PLANEJANDO O DEVOCIONAL

Um horário certo – Este tempo a parte com Deus deve ser num horário em que podemos dar toda a nossa atenção ao Senhor. O importante é escolher um momento em que estejamos bem dispostos e sem pressa. Quanto ao tempo de duração do devocional, devemos pensar em, no mínimo, uma hora (Mc.14:37,38). Mais tarde, provavelmente descobriremos que precisamos de mais tempo.

Um lugar apropriado – O ideal é encontrar um lugar onde não haja distrações, nem interrupções para que possamos nos concentrar na Palavra de Deus, orar e louvar com liberdade. Jesus, frequentemente, fazia um esforço para ficar a sós com Deus num lugar tranquilo (Lc.6:12; 9:28).

Uma posição corporal correta – Descubra uma posição que o mantenha confortável e alerta. Isto varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas preferem sentar-se, como o Rei Davi fazia, às vezes, ou permanecer de pé, posição comum tanto no Antigo como no Novo Testamento. Outros acham que enquanto caminham, ficam mais concentrados e mais acordados. Já há quem prefira ajoelhar-se diante do Senhor, em sinal de reverência.

IV. O QUE FAZER NO HORÁRIO DEVOCIONAL

Orar – Orar é falar com o nosso Pai Celestial, é partilhar nossos pensamentos e sentimentos com Ele. Inclui: ações de graça (I Ts.5:18); petições (Fl.4:6,7); confissão de pecados (Sl.32:5); intercessão (I Tm.2:1,2) e falar em línguas (Ef.6:18).

Orar é simples, entretanto a maturidade na oração vem com o tempo e com a prática. Portanto, é preciso que sejamos pacientes e perseverantes enquanto crescemos em nossa vida de oração.

Meditar na Palavra de Deus – “Meditar” significa submeter-se a um exame interior ou refletir sobre algo. A Bíblia ensina que devemos meditar na Palavra de Deus de dia e de noite (Js.1:8; Sl.1:1-3). Aqui estão algumas perguntas que podemos fazer durante a leitura bíblica:

 1) Esta passagem me fala de algum pecado que devo abandonar?
2) Há nela algum ensino que devo praticar?
3) Há nela alguma promessa da qual devo me apropriar?
4) O que este texto me ensina acerca do Pai, do Filho e do Espírito Santo?

Ao ler a Bíblia, comece com um capítulo por dia. É bom que tenha um plano de leitura. Sugiro começar com o Novo Testamento.

Louvar – Louvar é elogiar ao Senhor por quem Ele é e por tudo que Ele tem feito (Sl.100:4). Deve ser expressado por meio de cânticos e danças. O louvor, em geral, flui facilmente. Mas há ocasiões em nossas vidas quando tudo parece estar dando errado. Mesmo nestes momentos devemos louvar ao Senhor (Hc.3:17-19). Este tipo de sacrifício é de grande valia para Deus, pois só pode ser oferecido nesta vida, já que no paraíso não há tristeza, nem dor.

V. A IMPORTÂNCIA DE SE ORAR EM LÍNGUAS DURANTE O DEVOCIONAL

Orar em línguas deve fazer parte do nosso devocional (Ef.6:18; Jd.20). Aliás, não só podemos orar em línguas, mas também cantar em línguas. “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.” (I Co.14:15).

Mas por que orar em línguas é importante? “Porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.” (Rm.8:26,27).

Deus enviou o Seu Espírito para que Ele fizesse morada em nós e nos transformasse a imagem de Jesus. É com este objetivo que o Espírito Santo trouxe consigo Sua própria linguagem de oração – para que pudesse orar por tudo o que nos diz respeito segundo a vontade do Pai.

Portanto, toda vez que damos ao Espírito Santo a oportunidade, Ele usará esta linguagem celestial para interceder por nós (Rm.8:26), nos revelar mistérios (I Co.14:2), nos edificar (I Co.14:4) e oferecer um perfeito louvor a Deus (I Co.14:17). Com estes benefícios, não é de se admirar que Paulo tenha dito: “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas…” (I Co.14:5) e “Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós.” (I Co.14:18).

 

Wilson Linhares Castro


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