Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda e certa; e ele descera sobre nos como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra. (Oséias 6:3)

08 Cerimônias e Práticas Cristãs

discipuladoLIÇÃO 08  - CERIMÔNIAS E PRÁTICAS CRISTÃS

 

“Eu os elogio por se lembrarem de mim em tudo, e por reterem as tradições assim como eu as transmiti a vocês.” (I Co.11:2)

 

I. APRESENTAÇÃO DE CRIANÇAS

Nós, que procuramos viver conforme a Palavra de Deus e não de acordo com as tradições dos homens, não podemos aceitar o batismo infantil. O batismo de crianças está baseado em uma teoria de Agostinho sobre o pecado original, e não na Palavra de Deus. Ele cria que o batismo tinha poder para salvação; logo, a criança que nascia devia ser batizada para eliminar o pecado original e assim garantir a sua salvação. A Bíblia, no entanto, é bem clara quando diz que a salvação depende de uma fé consciente e pessoal (Mc.16:16).

Por outro lado, seguindo o exemplo de Jesus, podemos abençoar as criancinhas. “Então lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreenderam. Jesus, porém, disse:  Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque dos tais é o reino dos céus. E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.” (Mt.19:13-15)

II. A CERIMÔNIA DO MATRIMÔNIO

O casamento começou a partir de uma necessidade básica de companheirismo e complementação (Gn.2:18; Sl.68:6). Há cinco razões por que os casais devem se casar e não apenas morarem juntos:

1. Por ser um mandamento do Senhor. O casamento não é uma invenção humana, mas uma instituição criada por Deus. A Bíblia ensina que se um homem e uma mulher querem viver juntos devem se casar (Gn.2:24; Hb.13:4).

2. Por uma questão de moralidade. O sexo fora do casamento é considerado nas Escrituras como imoralidade sexual (fornicação) e é condenado por Deus (I Co.6:18-20; 7:1,2,8,9).

3. Por motivo de consciência. Cada sociedade estabelece ritos ou formalidades para legitimar a família. Como cristãos a nossa justiça (retidão) deve exceder em muito a do homem médio e nunca servirmos de escândalo (Mt.5:20; At. 24:16; Hb.13:18).

4. Para legitimar a união perante Deus. O casamento é uma aliança feita entre um homem e uma mulher perante Deus, tendo Ele como testemunha (Ml.2:13-15). Sem matrimônio, não há aliança.

5. Tipifica a aliança de Jesus com a igreja. O casamento ilustra o compromisso que Jesus estabeleceu com a igreja, que é a Sua noiva (Ap.19:7,8).

III. A CERIMÔNIA DO ATO FÚNEBRE:

Mesmo os cristãos estão sujeitos à morte porque seus corpos continuam mortais (Rm.8:10,23). Todavia, para o crente, a morte não é vista como um fim em si mesmo, mas como o meio para se encontrar com Jesus face a face (II Co.5:6-9; Ap.14:13).

Jesus se importa em consolar o ser humano no momento de perda de um ente querido. Se assim não fosse, ele não permitiria que se preocupassem tanto com a preparação do seu corpo, nem teria se compadecido com a morte de Lázaro (Jo.11:33-38). Da mesma forma, devemos ter compaixão uns dos outros, trazendo sempre uma mensagem de conforto, paz e esperança na hora da morte.

IV. A IMPOSIÇÃO DE MÃOS:

Entre os ensinamentos elementares de Cristo, está a imposição de mãos (Hb.6:1,2). A imposição de mãos é anterior a Moisés e tinha o caráter de transferir benção (Gn.48:8-12). Todavia, foi com Moisés que esta prática foi institucionalizada, passando a fazer parte do ritual judaico. A sua importância espiritual se fazia sentir no “Yom Kippur” (Dia da Expiação), quando o sumo sacerdote ao impor as mãos sobre o bode expiatório transferia os pecados do povo de Israel para o animal (Lv.16:21).

No Novo Testamento, a imposição de mãos era usada para: a) o batismo no Espírito Santo (At.8:14-19); b) a cura de enfermos (Mc.16:17,18); c) a consagração para algum ministério (I Tm.4:14); d) para conferir as bênçãos de Deus (Lc.24:50; Mt.19:15).

V. A UNÇÃO COM ÓLEO:

“Ungir”, no grego, é chrío e significa “aplicar óleo ou azeite” (Êx.30:22-33; II Co.1:21). Nas Escrituras, este ato tem um significado simbólico, referindo-se ao poder de Deus manifesto pela atuação do Espírito Santo (Lc.4:18,19). Quando usado na sua forma substantivada (“unção”), refere-se à manifestação deste poder ou ao próprio Espírito Santo (Jo.14:26; I Jo.2:27).

Nas Escrituras, o óleo da unção é usado para: a) separar alguém para determinado ministério (Lv.8:12; Sl.89:20); b) curar os enfermos (Mc.6:13; Tg.5:14); c) consagrar objetos (Lv.8:10).

VI. A ORAÇÃO ANTES DAS REFEIÇÕES

Antigamente era uma prática muito comum orar antes das refeições, mas hoje é cada vez mais raro ver as pessoas fazerem isto. Há, inclusive, certo constrangimento, como se estivéssemos fazendo algo esquisito ou antiquado. Todavia, trata-se de uma prática ensinada por Jesus (Mt.14:19; 26,26,27).

Oramos antes das refeições por três motivos: a) para reconhecer e agradecer pelo suprimento de Deus (I Tm.4:4); b) para que a comida seja santificada, isto é, purificada de qualquer impureza ou contaminação (I Tm. 4:5; Mc.16:18); c) para que a nossa mesa seja abençoada e nunca nos falte o pão (Mt.14:19-21; I Rs.17:14,15).

VII. O JEJUM

Jejuar é a prática de abster-se voluntariamente de alimentar-se durante um período de tempo, de forma individual ou coletiva, visando a um fim espiritual. Pode também ser de certas atividades (como assistir TV) ou de certos alimentos (como pão ou refrigerante). É uma forma de oração, de consagração e de humilhação (Jr.14:12).

O jejum é frequentemente considerado como uma disciplina opcional. Mas, na verdade, faz parte da vida cristã normal. Jesus disse: “Quando jejuardes” e não “se jejuardes”, implicando que deve ocorrer no curso normal da vida de um discípulo (Mt 6:17).

Jesus enfatizou que o Pai recompensará o jejum (Mt 6:18). As recompensas superam as dificuldades desta disciplina. Algumas das recompensas são externas, quando nossas circunstâncias são tocadas pelo poder de Deus. Outras são internas, quando nossos corações são aquecidos pelo amor de Deus.

A.     Sete Motivos por que jejuar

1. Para experimentar o poder de Deus em nossos ministérios
2. Para receber revelação profética
3. Para o cumprimento de promessas feitas por Deus
4. Para obter vitória em tempos de crise
5. Para ter proteção
6. Para obter direção
7. Para ter mais intimidade com Deus (jejum nupcial) – Este é o jejum que visa uma maior intimidade com Deus e renovação espiritual. (Mt.9:14,15)

B.     Cinco Características do Jejum Nupcial

1. É periódico – um ou dois dias por semana;
2. É um jejum de comida;
3. É motivado por um desejo de ter mais de Deus;
4. É uma fraqueza voluntária;
5. As recompensas são interiores.

C.     As Dez Recompensas do Jejum Nupcial

1. Amacia e sensibiliza o nosso coração para receber mais de Deus;
2. Fortalece o nosso espírito (aumenta a nossa fé, ousadia e sensibilidade espiritual);
3. Revela e silencia o barulho e agitação interior da nossa alma;
4. Destrói fortalezas demoníacas em nossa personalidade;
5. Diminui os nossos apetites carnais (legítimos e ilegítimos);
6. Aumenta nosso prazer espiritual;
7. Aumenta a nossa capacidade para viver vidas retas e focadas;
8. Ilumina a nossa mente para entender melhor o coração de Deus;
9. Fortalece a nossa identidade em Jesus;
10. Fortalece o nosso corpo físico.

D.     Três perguntas comuns sobre o jejum:

1. Com que frequência se deve jejuar? Sempre que desejar.

2. Qual deve ser a duração de um jejum? Depende do tipo de abstenção (alimentos, sono, relações sexuais, falar, convívio, etc.). Deve-se sempre seguir o bom senso e a prudência (I Co.7:5).

3. Como funciona o jejum de alimentos? Pode ser parcial (apenas de certos alimentos) ou total (de todo alimento sólido). Pode ser de uma ou mais refeições e durar um ou mais dias. Na Bíblia encontramos jejuns de um dia, três dias, vinte e um dias e até quarenta dias.

VIII. AS VIGÍLIAS

A palavra “vigília” (do latim vigiliae, permanecer acordado) refere-se à oração noturna. Originalmente era aplicada às vigílias noturnas dos soldados romanos. À noite se dividia em quatro vigílias de três horas:

1. Primeira Vigília (tarde): das 18 às 21 horas;

2. Segunda Vigília (meia-noite): das 21 às 24 horas;

3. Terceira Vigília (cantar do galo): das 24 às 3 horas;

4. Quarta Vigília (manhã): das 3 às 6 horas.

Jesus faz menção destas quatro vigílias ao falar da Sua segunda vinda: “Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; para que vindo ele, inesperadamente, não vos ache dormindo. O que, porém, vos digo, digo a todos; vigiai!” (Mc.13:35-37).

Por causa desta palavra de Jesus (e outras semelhantes – Mc.14:34-38), a igreja, nos primeiros séculos, considerava como parte normal da vida cristã a realização de vigílias de oração (II Co.6:5). Essas vigílias tinham o propósito de oferecer a Deus um “sacrifício contínuo” de louvor e oração. Elas eram normalmente coletivas (Sl.134:1,2; Is.62:6,7), mas também podiam ser individuais. Aliás, era consenso geral que o cristão deveria buscar o Senhor nas horas da noite (Sl.42:8; 63:6; 119:62,147,148). As vigílias muitas vezes eram divididas em turnos, a semelhança das vigílias das sentinelas romanas.

Quando fazemos um sacrifício de buscar a Deus nas horas da noite, temos uma maior autoridade naquilo que pedimos e declaramos. Deus deseja levantar um povo que faça brilhar a Sua luz nas altas horas da noite (Lc.21:36; Ef.6:18).

 

Wilson Linhares Castro


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